coerĂȘncia ⚖️

NS1.37.10.2.12

Chega o dia em que a vida cobra que eu acredite nas coisas que digo que acredito. O dia em que as palavras que lancei pro mundo voltam caladas pra mim, depois de se depararem com o espelho da realidade.

Nesse espelho, vejo o reflexo das coisas que sinto em silĂȘncio, como se tivesse vergonha de sentir. E as palavras me perguntam:

— VocĂȘ ainda acredita na gente, agora que essas emoçÔes consomem a sua pele?

Elas conhecem bem meu desafio de amar tudo o que posso e deixar livre tudo o que amo, mas nĂŁo entendem que as ideias que carrego nĂŁo sĂŁo escudos – sĂŁo portas abertas, arejando a maneira que escolhi amar.

— Sim. – respondi. — Eu acredito. Eu devo acreditar.

CoerĂȘncia Ă© um exercĂ­cio diĂĄrio. Uma experiĂȘncia crua, ardendo no corpo, no peito, nos pensamentos que nĂŁo param pra dormir, que se contradizem na tentativa de encontrar uma maneira fĂĄcil de sentir o que sinto sem trair o que acredito.

NĂŁo existe.

O que existe Ă© a presença, a coragem e a honestidade — seguidas pela incoerĂȘncia, a fraqueza e o medo. Tudo isso pulsando dentro de mim ao mesmo tempo. Sou um mentiroso? Ou apenas uma mĂĄquina orgĂąnica de sentir, sendo atravessada por todas as emoçÔes – todas – para descobrir o que sobra como produto final?

Apesar de tudo o que se apresenta nesse momento de total vulnerabilidade, no final eu fico com a possibilidade deliciosa de continuar acreditando nas palavras que digo, mesmo quando elas nĂŁo me dĂŁo garantias de conforto. Confiando na liberdade do amor, e desejando a liberdade para amar.

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